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Começar a análise: dúvidas comuns e o que a psicanálise pode oferecer

  • Foto do escritor: Ligia Estanqueiros
    Ligia Estanqueiros
  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Começar uma análise é um passo íntimo e cheio de perguntas: será que funciona? Estou pronto? Quanto tempo dura? E o que muda quando a gente começa a falar de verdade?


Essas são perguntas comuns entre aqueles que estão prestes a dar o primeiro passo rumo a um processo de escuta mais profunda. Este texto é um convite para quem está nesse momento de busca — e também uma tentativa de responder, com ética e clareza, às dúvidas mais recorrentes sobre o início de uma análise psicanalítica.


Psicanálise funciona mesmo?

Essa é, talvez, a pergunta mais frequente. E a resposta é: depende do que você entende por “funcionar”.

A psicanálise não oferece soluções rápidas, respostas prontas ou fórmulas de felicidade. Seu objetivo não é “consertar” o sujeito, mas sim abrir espaço para que ele possa escutar a si mesmo, reconhecer os próprios impasses, sintomas e repetições — e construir outras formas de se relacionar com o que o faz sofrer.

Funcionar, nesse contexto, significa produzir deslocamentos subjetivos que permitam viver de maneira menos aprisionada a padrões inconscientes. É um processo que se dá no tempo de cada um, e que implica, sim, um compromisso consigo mesmo.


Terapia ou análise: qual a diferença?

Esses dois termos são frequentemente usados como sinônimos, mas há distinções importantes.

"Terapia" é um termo mais amplo, que pode se referir a diversos tipos de acompanhamento psicológico — comportamental, cognitivo, humanista, entre outros — com objetivos variados, como alívio de sintomas, reorganização de pensamentos ou enfrentamento de situações específicas.

Já a "análise", no sentido psicanalítico, vai além do manejo de sintomas. Ela se propõe a escutar o inconsciente: aquilo que escapa ao discurso, que retorna nos sonhos, nos atos falhos, nas repetições. É um processo que não busca apenas “melhorar” o sujeito, mas fazer com que ele se implique na própria história, se responsabilize por seu desejo e encontre, a partir daí, novas formas de estar no mundo.

Ambos os caminhos podem ser válidos — mas são distintos em suas propostas e fundamentos. Ao optar por uma análise, o sujeito escolhe não fugir do conflito, mas atravessá-lo.


Me sinto perdido. Por onde começar?

Começar uma análise não exige um motivo bem formulado. Muitas pessoas chegam dizendo “não sei exatamente por que estou aqui” — e isso já é muito. É justamente nesse não saber que algo pode começar a ser construído.

A análise não exige respostas. Ela oferece um espaço para que você fale, pense, se escute e se surpreenda com o que emerge. O simples gesto de buscar esse espaço já revela um desejo de mudança.


Quanto tempo dura uma análise?

Essa é uma pergunta sem resposta única. Uma análise pode durar meses, anos — ou tornar-se um percurso contínuo, com pausas, retornos, recomeços. Tudo depende do sujeito, do que ele busca, do que se revela no processo e do ponto a que deseja chegar.

Diferente de abordagens focadas em resultados rápidos, a psicanálise respeita o tempo psíquico de cada um. É uma construção que se dá em camadas, exigindo tempo, desejo e implicação.


Como saber se estou pronto para começar?

Você não precisa estar completamente certo. Aliás, a maioria das pessoas chega à análise com dúvidas, resistências, defesas — e isso já faz parte do processo.

Quando algo começa a incomodar de forma persistente, quando certos impasses se repetem, quando o mal-estar se torna difícil de elaborar sozinho, pode ser o momento de procurar um espaço de escuta que sustente esse dizer, sem julgamento ou pressa.

A análise não exige certeza, mas sim uma disposição inicial para se implicar na própria experiência. E isso, muitas vezes, já é o bastante para começar.


O que acontece quando a gente começa a falar de verdade?

Falar de verdade é diferente de simplesmente narrar fatos. Na análise, a fala vai ganhando densidade e sentido. Aos poucos, surgem lembranças, lapsos, afetos. E é nesse movimento que algo começa a se transformar.

Quando a palavra escapa ao controle, o inconsciente aparece. E é nesse encontro — às vezes desconfortável, outras vezes libertador — que a análise se faz. O sujeito se escuta de um novo lugar. Algo que estava preso, calado, recalcado, encontra uma via de expressão.


Começar é um ato de coragem

Iniciar uma análise é dizer sim ao desconhecido. É se abrir ao que não se domina, ao que se repete sem que se entenda, ao que dói — mas também ao que deseja.

Sentir dói, mas cura.

Se você está nesse momento de busca, talvez esse texto tenha tocado em algo. E, se for o caso, estarei aqui para escutar.

 
 
 

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