Amar não elimina a falta — a revela. Estar com alguém não apaga aquilo que em nós segue silencioso, estrangeiro, inominável. Há sempre um resto, uma parte que não se compartilha, que não encontra tradução.
O que machuca, muitas vezes, está entrelaçado a histórias que vêm de longe. São modos de amar, de desejar, de existir no mundo que foram aprendidos muito cedo e que, apesar de dolorosos, ofereceram, em algum momento, uma forma de pertencimento ou de sobrevivência psíquica.